Colonialidade, Racialidade, Punição e Reparação nas Américas (Séculos XIX-XXI)
Detalhes do evento
Quando
a 29/11/2024 - 18:00
Onde
Nome do Contato
Colóquio Internacional
- cancelamento do Minicurso 7: os inscritos nesse minicurso receberão um e-mail da organização com a possibilidade de se inscreverem em outros cursos.
- IMPORTANTE: Algumas Informações Práticas
- Consulte a PROGRAMAÇÃO COMPLETA
A proposta deste Colóquio (*) é divulgar, debater e aprofundar as reflexões sobre as relações entre colonialidade, racialidade, punição e reparação a partir de uma abordagem transnacional e interdisciplinar, o que implica considerar a relação passado-presente e os pontos de aproximação e distanciamento entre as diferentes formações nacionais e americanas. Nos interessa compreender como se formaram os sistemas punitivos nas Américas, a partir de uma experiência compartilhada de colonização e racialização das populações nacionais. O que justifica a escolha desse continente é o passado vinculado ao colonialismo europeu, a presença da escravidão, o trato violento com as populações indígenas e ter sido utilizado como “purgatório das metrópoles”, na expressão da historiadora Laura de Mello e Souza. Nesse sentido, a experiência da plantation escravista, por exemplo no Brasil e nos EUA, mas também em outras regiões das Américas, como nas Antilhas ou no platô das guianas, informou não só as hierarquias raciais, mas o coração do sistema jurídico-penal desses países.
Ao congregar pesquisadores e ativistas de movimentos sociais (Amparar, Nós por Nós, Cooperativa Libertas, Mujeres de Frente, Yo No Fui, etc), o evento promoverá o engajamento político, social e da pesquisa científica interdisciplinar por meio da reunião das mais recentes contribuições para os temas em tela. Por fim, cabe dizer que o colóquio oferecerá espaço para a confluência de experiências de luta pelo desencarceramento, que conta hoje com uma agenda nacional bem articulada e consistente do ponto de vista teórico e político. Junto às famílias, organizações sociais têm se constituído para denunciar as violações promovidas pelo Estado.
O colóquio também pretende trazer à discussão a colonialidade de gênero, com foco nos processos de poder e de subjetivação que são parte decisiva da desumanização dos sujeitos colonizados. Entende-se que esse processo obnubilou a punição dirigida às mulheres racializadas nas sociedades americanas, prevalecendo a tese da subsidiariedade da criminalidade e punição das mulheres nas sociedades modernas (TEIXEIRA, SALLA e JORGE, 2021). A dimensão sobre o controle e a segregação policial dirigidas às mulheres racializadas e empobrecidas em sociedades coloniais e pós-coloniais, em especial as que vivenciaram tanto o sequestro e a escravização (de povos africanos), como o genocídio e o etnocídio de suas populações originárias, remanesce pouco problematizada, bem como seu papel para a compreensão de fenômenos pungentes no presente, como o aumento expressivo do encarceramento feminino nos últimos 20 anos, em escala global.
(*) Leia aqui a íntegra da proposta do colóquio
Comissão organizadora: Paulo Endo (IP/IEA-USP), Andrei Koerner (Unicamp/IEA-USP); Giulia Manera (Univ. Guyane); Diana Mendes Machado da Silva (IEA-USP/British Columbia-Ca); Alessandra Teixeira (UFABC); Dirceu Franco Ferreira (USP/CoPALC); Samuel Tracol (Sorbonne Univ./CoPALC); Luis González Alvo (UNT/CoPALC); Camila Similhana (IF-MG/CoPALC); Patrick Lemos Cacicedo (USP); Marcelo Ferraro (Unirio); Raissa Wihby Ventura (Unicamp/IEA-USP); Matheus de Carvalho Hernandez (UFGD/IEA-USP); Paulo César Ramos (Cebrap), Felipe da Silva Pinto Adão (IFCH-UNICAMP)
Comitê Científico: Fernando Afonso Salla (NEV-USP); Marcos César Alvarez (NEV-USP); Andrei Koerner (Unicamp/IEA-USP); Monica Duarte Dantas (IEB-USP); Maria Cristina Gonçalves Vicentin (IP/IEA-USP); Charlotte Floersheim (Aix-Marseille Université); Jules Falquet (Univ. Paris 8/IdA); Natalia Guerellus (Univ. Jean Moulin Lyon 3/IdA); Thiago de Souza Amparo (FGV/Núcleo de Justiça Racial e Direito); Carla Osmo (CAAF/Unifesp/IEA-USP); Edson Luis de Almeida Teles (CAAF/Unifesp); Frederido Normanha Ribeiro de Almeida (IFCH/Unicamp); Wania Pasinato (IEA-USP); Claudio Aparecido da Silva (Ouvidor das Polícias de São Paulo) e Maria Cristina Cortez Wissenbach (FFLCH-USP)
Inscrições
Evento público e gratuito | Com tradução (*)
Idiomas de trabalho: Português, Espanhol, Inglês e Francês
Transmissão:
Apenas para os inscritos
Realização:
Escola de Defensoria Pública do Estado de São Paulo (EDEPE)
Grupo de Pesquisa Direitos Humanos, Democracia e Memória do IEA
Institut des Amériques (IdA)
Organização
Centre d’Histoire du XIX’siècle UR 3550 (Paris Panthéon-Sorbonne/Sorbonne-Université)
Departamento de História (DH-FFLCH-USP)
Grupo de Pesquisa Colonização Penitenciária na América Latina e Caribe (CoPALC)
Grupo de Pesquisa Direitos Humanos, Democracia, Política e Memória (GPDH-IEA)
Instituto de Investigaciones Históricas Dr. Ramón Leoni Pinto (INIHLEP-UNT)
Parceria
Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF-Unifesp)
Consulado Geral da França em São Paulo
Instituto de Investigación sobre Cultura Popular (IICP-FAUNT)
Movimento Negro Unificado (MNU)
Núcleo de Estudos da Violência (NEV-USP)
Núcleo de Justiça Racial e Direito (FGV Direito SP)
Ouvidoria das Policias do Estado de São Paulo (SSP-SP)
Philosophie/Université Paris 8
Núcleo de Pesquisa e Formação em Raça, Gênero e Justiça Racial (Afro CEBRAP)
Programa de Pós-Graduação Culturas e Identidades Brasileiras (IEB-USP)
Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (PPGCP/IFCH-Unicamp)
Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais (PCHS/UFABC)
Programa de Pós-Graduação em Fronteiras e Direitos Humanos (PPGFDH/UFGD)